Software leva a matemática a crianças com deficiência visual

Um software inédito e de utilização gratuita desenvolvido na Unicamp deve auxiliar crianças deficientes visuais no aprendizado da matemática. O MiniMatecaVox, voltado para crianças com idades de seis anos matriculadas no ensino fundamental, traz uma série de atividades elementares da matemática que podem tornar o seu ensino mais lúdico, agradável e motivador. As atividades contemplam tanto o ensino da matemática, como a inclusão digital e recreação, importantes para crianças em fase inicial escolar.

O programa foi desenvolvido pelo tecnólogo em informática Henderson Tavares de Souza como parte de sua pesquisa de mestrado defendida recentemente junto ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC). Além de pesquisador da Unicamp, Henderson de Souza atua como professor de informática numa escola de ensino fundamental do município de Várzea Paulista, no interior do Estado de São Paulo.

“Identificamos por meio de pesquisas na literatura científica e avaliações nas instituições de ensino regular e especializado que há uma carência muito grande na área de matemática para o aprendizado de crianças deficientes visuais. Surgiu então a nossa proposta de aprimorar o ensino da matemática para essas crianças. Existem muitas pesquisas e iniciativas voltadas para o ensino de deficientes visuais, mas a maioria delas é focada no ensino superior, para o desenvolvimento de atividades de matemática mais complexas”, justifica Henderson de Souza, graduado pela Faculdade Estadual de Tecnologia de Jundiaí.

O software é um recurso tecnológico que irá agregar valor tanto na aprendizagem, quanto na utilização de recursos computacionais, acrescenta. Além do desenvolvimento do programa, foi proposta uma metodologia de ensino para utilização dos recursos do sistema com abordagens diferenciadas. O objetivo é potencializar o uso do programa com o propósito de alcançar melhores resultados na aprendizagem da matemática. Além disso, de acordo com ele, o estudo também contribuirá para que novas políticas educacionais sejam desenvolvidas, auxiliando para que mais crianças cegas cresçam com igualdade de condições de acesso às informações disponíveis.

“Um desafio e ao mesmo tempo uma motivação para a escolha do tema é a interdisciplinaridade envolvida na pesquisa. Tivemos que atuar em diferentes campos da ciência, como engenharia de computação, educação e tecnologia, áreas que devem estar em consonância com as particularidades dos indivíduos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem da matemática.”

Software

O tecnólogo em informática explica que o software é um programa simples, que executa, por meio de comando de voz, atividades elementares de matemática, como somatória, divisão, subtração e resolução de problemas. Ele ressalva que todas as atividades do aplicativo foram elaboradas utilizando vozes humanas, incluindo a de crianças na mesma idade, com o intuito de tornar a experiência do deficiente visual mais agradável e motivadora.

Ainda segundo o estudioso da Unicamp, o programa foi estruturado em 20 aulas com uma média de duas horas por aula para contemplar parcialmente o programa de matemática do ano. Cada aula tem 15 atividades, perfazendo um total de 300 atividades. Para o desenvolvimento do programa foi utilizado o ambiente do Borland Delphi 7 para programação de alguns recursos, no sentido de aprimoramento da experiência do usuário.

“O MiniMatecaVox é um aplicativo para ser utilizado como recurso suplementar nas aulas de matemática. Sua lógica de programação foi elaborada para que o aluno, em conjunto com o professor, seja capaz de realizar atividades em conformidade com as propostas presentes num livro didático recomendado pelo Ministério da Educação [MEC]”, esclarece Henderson de Souza, referindo-se a obra “Projeto e Prosa: alfabetização matemática”, da Editora Saraiva, incluído no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

Cenário

A dissertação de Henderson de Souza aponta dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais mais de 6,5 milhões de pessoas no país têm alguma deficiência visual. Deste total, 500 mil são cegos e 6 milhões têm grande dificuldade permanente de enxergar, baixa visão ou visão subnormal. Ainda conforme a pesquisa, estudiosos apontam que 80% das escolas brasileiras ainda dependem de recursos visuais para o ensino.

“Isso se torna mais uma barreira à educação de crianças deficientes visuais, causando uma grande divergência aos avanços das tecnologias para o acesso dos deficientes, já que a integração entre ensino e sistemas de informação ainda está muito longe da ideal. Daí a necessidade de intervenção no ensino destas crianças logo nos primeiros anos de escolaridade”, avalia o pesquisador da Unicamp.

O trabalho foi orientado pelo professor Luiz César Martini, do Departamento de Comunicações da FEEC. O docente da Unicamp tem se dedicado nas últimas décadas ao desenvolvimento de projetos pioneiros na área de inclusão digital para deficientes. Entre eles, estão aplicativos para áreas de matemática, física, química, desenho e música; recursos táteis para reconhecimento de objetos; e métodos d

Libras na web

Em mais uma iniciativa para promover a acessibilidade na Internet e facilitar a comunicação com pessoas surdas, o ProDeaf lança o WebLibras (www.weblibras.com.br), um software que traduz automaticamente os conteúdos escritos em português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A nova ferramenta pode ser utilizada por qualquer pessoa ou empresa que deseje tornar seu site ou blog acessível no segundo idioma oficial do Brasil. E, por conta do lançamento, o WebLibras está sendo disponibilizado gratuitamente, por tempo limitado, para blogs pessoais e algumas ONGs.

“O WebLibras é uma maneira rápida e econômica que oferecemos para as pesso as e empresas que entendem a importância de falar com a imensa população de pessoas surdas e com deficiência auditiva que temos hoje no Brasil”, afirma Flavio Almeida, diretor do ProDeaf, lembrando que a Libras é utilizada por mais de 5 milhões de brasileiros.

O novo software funciona como uma espécie de Google Translator, em que o texto selecionado é traduzido em tempo real, automaticamente. Ao navegar em um site que tenha a ferramenta, basta o internauta clicar sobre o símbolo internacional de surdez (uma orelha azul cortada por um traço branco) para ativar o recurso. A partir daí, uma janela se abre com um avatar em 3D – carinhosamente batizado de Artur -, que fará a tradução do texto selecionado pelo internauta.

A implementação
Para facilitar a implementação do WebLibras, o ProDeaf desenvolveu um plug-in que pode ser facilmente instalado em um site pelo próprio administrador da página. “Não é preciso nenhum grande conhecime nto técnico”, assegura Almeida. O plugin está disponível em http://www.weblibras.com.br.

O WebLibras é temporariamente gratuito para sites pessoais e blogs que realizem até mil traduções por mês. Para endereços que realizem entre mil e 10 mil traduções mensais, o ProDeaf cobra uma mensalidade de R$ 1.000. E, para empresas maiores, cujas páginas na web demandem mais de 10 mil traduções ao mês, o ProDeaf faz propostas específicas para cada caso.

“Cada vez que um visitante clicar numa frase e ela for traduzida pelo Artur, será incrementada a contagem. Ou seja, se um site tem 100 páginas, ou apenas cinco, não faz diferença. O que importa é quantas traduções foram realizadas. O cliente do WebLibras terá uma área restrita (Painel de Acesso) através do qual ele (o administrador do site) poderá visualizar o número de traduções executadas no últim o mês.”

A ferramenta, que utiliza tecnologia ProDeaf de tradução, permite que, de acordo com o plano contratado, as traduções sejam melhoradas manualmente em seções específicas do site para se atingir um grau ótimo de comunicação. “Além disso, o ProDeaf conta com uma equipe de profissionais altamente qualificados trabalhando na melhoria contínua do processo de tradução automática”, afirma Almeida.

Sobre o ProDeaf
O ProDeaf é um software inédito para tradução de conteúdo falado e escrito em Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), o segundo idioma oficial do país, utilizado por mais de 5 milhões de brasileiros. O projeto é carro-chefe da empresa homônima (www.prodeaf.net), uma startup pernambucana especializada em tecnologias assistivas focadas na comunicação e integração social de su rdos e ouvintes.

Em linha com a missão da empresa, de permitir a quebra das barreiras de comunicação, o software apresenta soluções viáveis para o mercado corporativo e usuários finais, incluindo a tradução de sites e vídeos para Libras e disponibilizando aplicativos gratuitos que traduzam o som falado e escrito em Português para a língua de sinais, em tempo real.

Com operações em Recife (PE) e São Paulo, a empresa oferece ao mercado serviços diferenciados e orientados por qualidade, resultado e especialização. É uma startup acelerada da academia de inovação da Telefonica (Wayra) e parceira da Microsoft.

Em 2013, o ProDeaf recebeu o Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação em Comunicações. A empresa foi vencedora na categoria “Desenvolvedores de Aplicações e Conteúdo”. No mesmo período, a companhia também foi vice-campeã do concurso Web’s Got Talent, realizado durante a 5ª edição da Web W3C Brasil, a maior conferência sob re a internet no País.

Fonte: Assessoria de Comunicação