Português cria cadeiras de rodas com banco elevável

Este protótipo tem várias funcionalidades, entre as a possibilidade de subir o assento para alcançar objetos que estão mais altos.

Comentário SACI: “É necessário esclarecer que o termo correto ao se referir a alguém com deficiência é pessoa com deficiência e não “pessoa portadora de deficiência”. Essa revisão do termo “portador” para pessoa com deficiência já havia ganhado muita força em 2006, com a promulgação da Declaração dos Direitos Humanos Fundamentais das Pessoas com deficiência da Organização das Nações Unidas ratificada no Brasil em 2008. Por fim, no dia 03 de novembro de 2010 foi publicada a Portaria n. 2.344 da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República que regularizou oficialmente as terminologias legais aplicadas as leis sobre a matéria, instituindo legalmente o termo Pessoas com Deficiência abolindo de vez o termo portador de deficiência.” de Eduardo Martins de Miranda, Advogado – OAB/BA 36.757

Jorge Silva é engenheiro eletrotécnico e portador de uma distrofia muscular. Com o objetivo de facilitar a vida de quem se desloca de cadeira rodas, Jorge criou uma cadeira ‘low-cost’ com um banco elevável. Em Janeiro, o protótipo valeu-lhe o 2.º prémio numa feira de inventores, no Brasil.

Este protótipo tem várias funcionalidades, entre as a possibilidade de subir o assento para alcançar objetos que estão mais altos e que normalmente são inacessíveis aos utilizadores de cadeira de rodas.

Nas subidas e descidas, esta cadeira pode inclinar-se para trás, de forma a não haver um desequilíbrio. Para criar este protótipo, Jorge comprou duas trotinetes, no valor total de 300 euros, e adaptou-as para criar o projeto.

“As cadeiras de rodas, mesmo as mais simples, têm valores que superam os três e os quatro mil euros”, começou por explicar Jorge à RTP, acrescentando ainda que pretende que a sua ideia seja vendida por metade do preço, isto é, entre os 1500 e os dois mil euros.

“Não consigo estar quieto”

Para além desta cadeira de rodas, o engenheiro, que começou a ter problemas aos 18 anos, desenvolveu também um engenho para substituir o travão de mão dos automóveis. Através de um joystick, o projeto permite recriar o movimento da mão, sem que seja necessário efetuar qualquer esforço.

Jorge Silva tem distrofia muscular, que se caracteriza pela degeneração da membrana que envolve a célula muscular, e define-se como um apaixonado das invenções, uma vez que está sempre a ter ideias.

“Se não é a nível de trabalho, é pessoal, se não é pessoal, crio algo que alguém já me tinha pedido. Não consigo estar quieto”, confidenciou Jorge ao canal do Estado.

Fonte: Rede SACI

Estudantes desenvolvem bengala para cegos que detecta obstáculos

Equipamento foi desenvolvido por estudantes de mecatrônica de Garça. Dispositivo detecta obstáculos terrestres e aéreos e emite alerta vibratório.

da Redação

Alunos de Garça (SP) desenvolveram um dispositivo em bengalas que alerta deficientes visuais sobre obstáculos no caminho. Sem a necessidade de um cão guia ou de um cuidador, o professor Nelson Santos Cauneto, deficiente visual há 15 anos, conquistou a segurança para andar nas ruas com a ajuda apenas da bengala. “Ela veio para somar, ajudar a gente a ter uma independência de locomoção. É mais um instrumento que com certeza pode nos ajudar bastante no futuro. Hoje já está me ajudando”, diz Nelson.

O equipamento não é uma bengala comum, ela foi melhorada. Um dispositivo preso no começo dela indica ao deficiente visual aonde existem obstáculos no caminho. O equipamento emite vibrações sensíveis ao toque das mãos.
Em um passeio na praça, Nelson consegue subir e descer escadas, identificar onde estão os bancos, desviar das pessoas e de animais. O deficiente recebe o sinal de alerta com até três metros de distância de um obstáculo.

Essa bengala adaptada traz ainda outra diferença em relação a comum. O equipamento avisa sobre obstáculos na altura da cabeça, como galhos de árvore, por exemplo, que se não identificados pelo deficiente visual podem até machucá-lo. “Se ele detectar um obstáculo aéreo, vibra a parte de cima. Se detectar um obstáculo terrestre, vibra a parte de baixo”, explica o professor, que agora caminha pelas ruas com mais tranquilidade.

O equipamento inteligente foi desenvolvido no laboratório da Faculdade de Tecnologia de Garça por dois alunos do curso de mecatrônica. “Ver os deficientes usando o equipamento, conseguindo detectar os obstáculos, desviar deles sem acidentes, é uma felicidade muito grande”, conta o estudante Henrique Betoni.

O dispositivo ainda está em fase de testes, mas enche de orgulho o estudante Leandro Nakahata. “A bengala é composta por uma bateria, um controlador, dois sensores e dois motores elétricos”, explica Leandro.

O desafio foi proposto pelo professor do curso de mecatrônica, Gustavo Coraíne, que já tinha visto bengala semelhante à venda no exterior, mas a um preço alto demais. “Todos os dispositivos se encontram no mercado em qualquer loja de eletrônicos, basta uni-los. No exterior, um produto como esse, industrializado, custa R$ 3 mil. É fácil encontrar na internet. Aqui no Brasil nós não temos nada parecido, e a gente consegue desenvolver um desses com facilidade por R$ 500”.

Dados do IBGE mostram que no Brasil mais de 6 milhões de pessoas tem alguma deficiência visual, sendo que dessas, 528 mil são cegas. Agora, com a nova bengala, essas pessoas poderão ter mais qualidade de vida. “A bengala com o detector dá mais segurança e autonomia também. O que a gente busca na vida é autonomia”, diz Nelson, animado com a novidade.

Depois da fase de testes, os alunos pretendem produzir o dispositivo em grande quantidade e colocá-lo à venda no mercado.