Portadores da ELA podem usar computador apenas com movimento dos olhos

Inovação foi apresentada em mini simpósio promovido pela Associação Dr. Hemerson Casado Gama

Radialista Carlos Miranda foi o primeiro a testar o computador que faz leitura ocular

O uso de computador com teclado vocalizado para portadores da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e outras doenças incapacitantes foi o ponto alto do Mini Simpósio de Tecnologia Assistiva Aplicada à Esclerose Lateral, realizado nessa quarta-feira, no Hotel Ritz Lagoa da Anta, na Cruz das Almas. O equipamento é usado pelo usuário por meio do sensor de captação ocular, ou seja, ele escolhe as letras do teclado apenas com o movimento dos olhos e forma as palavras e frases.

A novidade foi apresentada por Rafael Alves, técnico em Tecnologia Assistiva da empresa sueca Tobii, no evento realizado pela Associação Dr. Hemerson Casado Gama. De acordo com ele, o computador com esta formatação tem sido comercializado no mundo inteiro, sobretudo para os portadores da ELA, e o software pode ser adaptado em qualquer computador e o equipamento pode ser adaptado de acordo com a necessidade do usuário.

Segundo Rafael Alves, a inovação dá liberdade ao portador da ELA, por exemplo, de usar o computador, por meio da fixação do olhar no teclado, piscada ou mover uma das partes do corpo, de produzir textos, com o controle ocular sem a necessidade da ajuda de terceiros. O equipamento tem ainda entre as vantagens a de ser configurado para virar controle remoto de TV e ar condicionado, apenas com o movimento dos olhos.

O presidente da Associação que leva o seu nome, Hemerson Casado, anunciou durante o evento que está fazendo contato com possíveis patrocinadores e a empresa responsável pela fabricação do computador para a compra de 60 unidades para serem doadas aos portadores da ELA em Alagoas.

Outro momento de troca de experiência do evento se deu com a palestra do professor doutor da Universidade de Brasília (UNB), Adson Ferreira da UNB, que expôs sobre pesquisas em engenharia biomédica com aplicação e desenvolvimento em reabilitação. Ele lembrou que a sua presença no mini simpósio se originou da visita que o presidente da Associação, médico Hemerson Casado fez a Brasília, há dois meses, quando visitou o grupo de pesquisa da UNB e explicou sobre a difícil situação da ELA no Brasil.

“Isso precisa ser corrigido e requer esforço conjunto de profissionais das áreas de Ciências, Saúde, Biologia, Química, Engenharia, dentre outras. Precisamos identificar quais tecnologias têm potencial para estudar esta doença. Temos interação com várias universidades brasileiras e já que o Dr Hemerson tem vontade de criar um grupo de biotecnologia em Alagoas, podemos unir esforços e somar nesse sentido”, destacou Ferreira, lembrando da importância da equipe interdisciplinar para impulsionar o grupo.

O pesquisador da UNB mostrou a reabilitação de pessoas que têm perda de membros, a exemplo de mãos e pernas, e o protótipo de mão mecânica que é feita em Brasília com impressora 3 D. Adson Ferreira exibiu ainda prótese robótica de perna para amputados acima do joelho e disse que a meta é no futuro trabalhar o recuperação de outras partes do corpo. Com relação à ELA em estágio avançado, afirma ele, a opção mais adequada seria fazer o controle pelo cérebro por sinais eletromiográficos.

Entre as pesquisas feitas pelos profissionais da UNB estão a monitoração da respiração para detecção de câncer de pulmão; monitoração de sinais do equilíbrio corporal para evitar quedas em pessoas lesionadas e detectar distúrbios no equilíbrio. Já o professor doutor Pedro de Lemos Menezes da Uncisal falou sobre a importância do exame Vemp para o diagnóstico precoce da Esclerose Múltipla, a exemplo da ELA.

De acordo com o especialista, os sintomas desta doença neurodegenerativa estão ligados a desordens vestibulares centrais e o exame Vemp é barato, rápido, sendo possível detectar resposta em músculos das extremidades do corpo onde normalmente se inicia a Esclerose Lateral Amiotrófica. “O exame é feito com o uso de eletrodo em parte sensível do corpo, a exemplo da orelha, e facilita o diagnóstico, aumentando a precisão e detectando a doença antes de o paciente da ELA perder a força dos membros”.

A também pesquisadora da UNB, professora doutora Luciana Peixoto também contribuiu com o simpósio com a palestra sobre aplicações de tecnologias à fisioterapia. De acordo com ela, a exposição teve como objetivo divulgar pesquisas realizadas no Brasil; estimular parcerias e discutir possibilidades de instrumentação para pessoas com ELA. Pela primeira vez um evento da Associação contou com a participação dos portadores da ELA, a exemplo do radialista Carlos Miranda, que testou o computador que faz leitura ocular.

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