Jovem cego arrasa nos games

Jovem cego arrasa nos games

Guiado pelo som e vibração do controle, Gabriel Polli venceu quase todos os desafiantes com extrema facilidade ontem

Gabriel Neves Polli, 23 anos, nasceu prematuro em Osasco, na Capital, e perdeu a visão quando tinha meses de vida por conta de um erro médico. Mas quem

disse que para jogar videogame precisa enxergar? O rapaz é guiado pelo som dos jogos e pela vibração do controle. Ontem, ele desafiou aqueles que caminhavam

pelo Bauru Shopping na 20.ª Mostra de Arte sem Barreiras e no Festival Assim Vivemos. O jovem deixou muita gente “no chinelo”.

Como nasceu prematuro, os médicos prescreveram uma mistura de três medicamentos que teriam a função de fortalecer os pulmões do bebê. Contudo, a combinação

causou o descolamento das duas retinas de Gabriel, deixando-o completamente cego. Ele também foi vítima de paralisia cerebral, outra sequela do erro médico.

E foi no tratamento desta última doença que o rapaz descobriu a grande paixão.

“Quando eu tinha uns 4 anos, eu fazia fisioterapia para melhorar o movimento das mãos e minha mãe teve a ideia de comprar um videogame para ajudar”, conta

o rapaz, enquanto jogava Mortal Kombat e desafiava esta repórter que lhes escreve a juntar-se a ele. Gabriel é tão craque nos games que pensa em seguir

carreira. Todavia, o rapaz deixou a escola antes de concluir o 2º e 3º colegiais porque não aguentava mais sofrer bullying.

O jovem passa o dia junto aos games. A paixão é tanta que o rapaz tentou participar de vários torneios da área, fazia as inscrições, mas quando os organizadores

viam que ele é cego, devolviam o dinheiro e não deixavam que participasse. “Quem coloca obstáculos aos deficientes são as pessoas que não têm deficiência

alguma”.

Jogos

Entre os jogos preferidos do garoto, estão Dragon Ball GT e Mortal Kombat. “Eu gosto das histórias dos games”, justifica Gabriel. Ele, contudo, não desistiu

de participar de uma competição. E provou que a deficiência não o limita. No ano passado, ficou em 2º lugar na Batalha dos Games, em São Paulo, e perdeu

por apenas um ponto do campeão.

O prêmio do 1º lugar não podia ser outro: um PlayStation 4. O vencedor tentou dar o videogame a Gabriel, mas ele não aceitou. “Eu não ligo de vencer ou

perder. Gosto mesmo é do desafio”.

Ontem, ele venceu a maioria das pessoas que aceitaram o desafio, que durou cerca de uma hora e meia. O empreendedor Vinicius Fernandes, 29 anos, chegou

a tampar os olhos para jogar contra Gabriel e, claro, perdeu. “Eu estava dando socos no ar e pulando para trás e para frente, não consegui jogar sem ver”,

diz Fernandes.

Iniciativa

Gabriel veio de Osasco a Bauru para fazer parte da programação da 20.ª Mostra de Arte sem Barreiras e do Festival Assim Vivemos, organizados pela prefeitura,

por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Além disso, diversas entidades e o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência também são parceiros da iniciativa. Na programação, que vai

até o dia 9, há dança, música, teatro e exibição de filmes. Hoje, é a vez de mais pessoas que não enxergam mostrarem que não existem limitações, no Balé

de Cegos.

Fonte: JCNET

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s