Trabalho de alunos do IME/USP desenvolve aplicativo para pessoas com deficiência visual

Smart Audio City Guide permite compartilhar, em áudio, informações georreferenciadas.

Já imaginou como deve ser enfrentar os desafios da cidade sem enxergar? Levando isso em consideração, estudantes do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME/USP) desenvolveram, como trabalho de conclusão de curso (TCC), um aplicativo chamado Smart Audio City Guide. Nessa rede social colaborativa, os usuários podem compartilhar, em áudio, informações georreferenciadas, ou seja, dados sobre as coordenas geográficas do espaço físico. “O aplicativo não pretende substituir as ferramentas que já existem, como a bengala ou o cão-guia, mas é um complemento”, explica um dos responsáveis pelo desenvolvimento, Gabriel Reganati.
O projeto teve início quando três alunos do Instituto entraram em contato com a proposta do professor Artur Rozestraten, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), de criar essa rede social para deficientes visuais. Eles, então, com a ajuda do professor Marco Aurélio Gerosa (IME/USP), decidiram participar da Imagine Cup, uma competição da Microsoft que tem por objetivo atrair ideias inovadoras para melhorar o mundo. Para esse concurso, foi feito apenas um protótipo para a plataforma do Windows Phone, uma vez que se tratava de uma competição vinculada à marca.
A parte maior do desenvolvimento aconteceu quando, depois de a equipe ficar em 3º lugar na fase nacional da Imagine Cup, o aluno Gabriel Reganati, que ainda não tinha feito o seu TCC, resolveu se juntar a Caio Valente, que não tinha participado da Imagine Cup, para continuarem o projeto. “Melhoraramos o protótipo e finalizamos uma versão para Windows Phone”, conta Reganati.
O aplicativo ainda não está aberto para todos os usuários porque não tem versões para os sistemas operacionais Android e IOS. “Temos uma versão para Android, mas ainda está bem no começo. Estamos testando algumas outras opções de desenvolvimento”, informa Gabriel Reganati. Apesar de não estar liberado para o público em geral, vários testes foram feitos com usuários, tanto para a Imagine Cup quanto para o TCC. “Tivemos feedback, com vídeos gravados e disponíveis no Youtube. [Os alunos] foram em um parque com os usuários, onde eles andaram e iam recebendo mensagens em áudio. Depois disso, fizemos uma avaliação com eles e foi muito positiva”, explica o co-orientador do trabalho de conclusão de curso, o professor Marco Aurélio Gerosa.
No estágio atual do projeto, Gabriel Reganati e Caio Valente explicam que estão precisando de patrocínio e de pessoas novas para dar continuidade ao Smart Audio City Guide. “Precisamos de gente de todo tipo, de gente da ECA (Escola de Comunicações e Artes), para tratar da questão de interface, de gente de linguística, para trabalhar com reconhecimento de voz, e de gente para trabalhar com a parte do desenvolvimento do aplicativo em si, programando, criando telas, trazendo ideias”, conta Reganati.

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