Impressoras 3D: Reproduzindo imagens tridimensionais para estudantes com deficiência visual

Artigo de Lucy Gruenwald e Cristiana Cerchiari descreve os benefícios da impressora 3D como recurso educacional para a Pessoa com Deficiência

Uma das maiores barreiras atuais para a inclusão social, cultural e escolar das pessoas com deficiência visual é o acesso às imagens. Nesta última esfera, a presença de conteúdos visuais fica evidente em uma análise superficial dos materiais didáticos de todos os níveis escolares e das mais diversas áreas do conhecimento.
Disciplinas como anatomia, biologia, astronomia e geografia utilizam imagens que contém inúmeros detalhes obtidos, muitas vezes, através de microscópios, telescópios ou satélites. Imagens também são vitais em cursos de matemática, engenharia, química, arquitetura, ou até mesmo de idiomas por ajudarem as pessoas cegas a construir referências culturais sólidas. Em uma aula de francês, por exemplo, o professor pode querer mostrar a Torre Eiffel para seus alunos. Por melhor que seja a descrição com palavras feita no computador ou pelo próprio professor, ela não substitui a leitura autônoma desse monumento tão emblemático da França. Para alguns, essa leitura é feita visualmente; para outros, ela só pode ser feita com recursos táteis.
Em documentos digitais, o recurso para transmitir a informação contida em uma imagem é acoplar a sua descrição a ela. Quando um leitor de tela estiver lendo este documento e encontrar a imagem ele falará esta descrição. Porém, captar o conteúdo principal de uma imagem complexa e descrevê-la exige conhecimento profundo do assunto, dá trabalho, e ainda corre-se o risco de não agradar à maioria dos usuários, já que uns podem querer descrições minuciosas, enquanto outros podem preferir informações mais sucintas.
Outras alternativas utilizadas atualmente consistem em reproduzir a imagem em alguma forma tátil , como por exemplo, através de impressoras Braile, ou produzir artesanalmente as figuras, utilizando materiais com diversas texturas. Uma nova alternativa que está se mostrando viável e que pode representar um apoio significativo para o aluno com deficiência visual é a impressão 3D, que comentamos a seguir.
A motivação:
A Impressão 3D, apesar de ser uma tecnologia recente (1984), já está impactando profundamente diversos setores. Empresas da indústria pesada, automotiva, de joias, arquitetura entre outras, estão usando a impressão 3D para produzir protótipos de grande precisão para seus produtos. Desde 2010, o custo dessas impressoras vem sendo reduzido devido à sua simplificação, e hoje já é possível encontrar no mercado alguns modelos domésticos a preços acessíveis, o que abre uma porta enorme para novas aplicações e serviços.
Universidades americanas e museus já estão produzindo objetos de aprendizagem experimentais em 3D. Algumas imagens destes objetos podem ser vistas no artigo “3D Printed Tactile Learning Objects: Proof of Concept.” do Dr. Kolitsky, professor de biologia da Universidade do Texas em El Paso.
Tipos de impressoras 3D:
Existem basicamente dois tipos de impressoras 3D: as de adição – que utilizam plástico líquido para imprimir as imagens -, e as de subtração – que empregam blocos de espuma -. As figuras mostram uma miniatura da imagem de um rosto e de um coração humano reproduzidos com impressão 3D por adição e a Figura 3, um vulcão “esculpido” na impressora de subtração.
O Processo:
As Impressoras 3D leem arquivos do tipo .stl, que contém as informações da geometria do objeto. Se o desenho do objeto a ser impresso não estiver neste formato, é preciso transformá-lo utilizando alguma ferramenta apropriada (leia abaixo).
Obtendo modelos prontos:
Criar objetos 3D pode exigir um pouco de conhecimento e prática. Para quem está começando pode ser interessante partir de objetos prontos oferecidos pelos diversos repositórios disponíveis na internet, como por exemplo, do museu Smithsonian (X3D), do Art Institute of Chicago (Museum Love in 3D), Thingiverse, sketchup 3D, 123D.
Criando seus próprios modelos:
Modelos podem ser criados a partir de scanner 3D, por softwares profissionais do tipo CAD (computer aid design), ou ainda por programas mais simples que estão surgindo para atender justamente um público mais leigo iniciante no uso de impressoras 3D.
Existem várias ferramentas gratuitas que permitem criar modelos, como por exemplo, Tinkercad, OpenScad, Autodesk 123D, Netfabb ou PhototoMesh. Esses programas, em geral, são fáceis de aprender e oferecem recursos como transformar imagens 2D (.jpeg) em 3D, exportar ou importar arquivos .stl.
Serviços de impressão:
Para quem não tem uma impressora 3D, mas quer fazer algumas experiências, os serviços de impressão 3D podem ser uma boa solução, pois têm preços bastante convidativos. O processo é: enviar o arquivo .stl, via email, para o fornecedor, e receber o objeto 3D gerado via correio. Sites onde se pode achar esse tipo de serviço: i.materialize, sculpteo, shapeways, 3D HUBS (aqui é possível encontrar fornecedores mais próximos, inclusive brasileiros).
Comprando uma impressora 3D:
Se a decisão for comprar uma impressora 3D, responda antes as questões para a escolha do modelo mais adequado: Qual volume e tamanho necessário dos objetos a serem produzidos? Quais materiais/cores se quer usar? Qual tipo de impressão: por adição ou subtração? Qual a resolução necessária? Qual o orçamento?
Adicionando Braile:
É possível imprimir textos em Braile de ótima qualidade com as impressoras 3D.
Concluindo:
Muitos esforços estão sendo feitos para incluir crianças e jovens com deficiência na Escola. Lembrando que esse termo engloba o acesso e a permanência desses alunos na escola e na universidade, e que isso só ocorre fornecendo-se estratégias adequadas ao seu desenvolvimento escolar, acadêmico e cultural, a disponibilização de imagens tridimensionais parece um caminho muito promissor. A impressão 3D é mais um recurso para produção de material alternativo que permite a estes alunos compreender de forma tátil muitas figuras que os alunos videntes podem apreender com a visão.

Fonte: Rede SACI

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